Prezados
amigos,
Desde que cheguei aos EUA, em maio de 2005,
assumi como dever pessoal, fora e
independentemente do meu trabalho de
correspondente jornalístico e da preparação do
livro A Mente Revolucionária, informar ao maior
número possível de jornalistas, intelectuais,
empresários e políticos americanos a verdade
sobre o estado de coisas no Brasil, a
abrangência dos planos do Foro de São Paulo, a
aliança entre partidos de esquerda e
organizações criminosas, a colaboração ativa
e essencial do governo Lula na revolução
continental cujas personificações mais vistosas
são Hugo Chávez e Evo Morales.
Continuo firme nesse empenho até hoje. Ele
consome, de fato, a maior parte do meu tempo.
O objetivo imediato é conscientizar a elite
americana da loucura que faz ao dar suporte
político, jornalístico e financeiro a
organizações latino-americanas de esquerda que,
por baixo de uma persuasiva máscara democrática
e legalista, conspiram com o Foro de São Paulo
para a disseminação do caos revolucionário no
continente.
A intenção última, talvez irrealizável mas
nem por isto menos obrigatória moralmente e
digna do esforço, é atenuar ao máximo o fluxo
de uma ajuda bilionária sem a qual a revolução
comunista na América Latina morreria de
inanição.
Bem sei que, entre os componentes da referida
elite, muitos ajudam o comunismo latino-americano
de maneira consciente e deliberada, movidos pela
convicção pessoal, pela vaidade, pela estupidez
pura e simples ou, o pior de tudo, pelas
vantagens que assim pretendem obter para a
consecução de seus próprios planos
estratégicos, de envergadura incomparavelmente
mais vasta que os do Foro de São Paulo.
Com essa parcela da elite não adianta nem
conversar, é claro. Mas há centenas de
organizações conservadoras, leigas, cristãs e
judaicas, que ludibriadas por falsa informação
acabam permitindo que o potencial da sua boa-fé
e os dons da sua generosidade sejam desviados
para finalidades que atentam contra seus
próprios valores e princípios. Há também
órgãos do próprio governo americano, que,
induzidos a trabalhar nesse sentido por
administrações federais anteriores
pró-esquerdistas, continuam, pela força da
rotina burocrática, a apoiar aquilo que deveriam
combater.
Essa situação anormal e doentia resulta de um
trabalho de muitas décadas feito aqui pelo lobby
esquerdista internacional, cujos agentes lograram
se infiltrar por toda parte, dominando
ostensivamente os órgãos culturais do governo e
a grande mídia das capitais, e camufladamente
atuando até mesmo dentro de organizações
conservadoras.
A política oficial do governo de Washington, de
dar apoio à esquerda moderada na
esperança de que sirva de barreira às
ambições da esquerda radical, é
fundada inteiramente em desinformação
proposital espalhada há décadas por entidades
poderosas como o CFR e as fundações
Rockefeller, Ford e Soros. Nos últimos anos, uma
crescente onda de revolta contra essas entidades
espalhou-se entre a maioria conservadora.
Informações longamente ocultadas sobre seus
planos e atividades começam a jorrar na mídia
conservadora e a ser discutidas abertamente nos
think thanks. O momento é propício para mostrar
que, entre as inumeráveis mentiras com que essas
macro-organizações manipularam a opinião
pública americana, havia algumas sobre o nosso
país e os nossos políticos. Só para vocês
fazerem uma idéia de até onde vai o cinismo
dessa gente, o CFR nomeou, para chefe da sua
Força-Tarefa encarregada de influenciar a
política de Washington para com o Brasil, nada
menos do que o sr. Kenneth Maxwell, aquele mesmo
que, usando da sua suposta autoridade de
especialista, tentou persuadir o
Brasil de que o Foro de São Paulo nem sequer
existe.
Há no Brasil pessoas ambiciosas e iludidas que
acreditam poder influenciar o governo americano
por meio de contatos diretos com o Departamento
de Estado e a presidência da República. Tolice.
Primeiro: os EUA não são o Brasil, onde o
Executivo pode mudar o curso das coisas a seu
belprazer. Aqui, tudo depende de longas
discussões, da conquista dos corações e mentes
da elite formadora da opinião pública, do
exercício, em suma, da democracia. No Brasil,
já nem sabem o que é isso. Imaginam que Bush é
um Lula de direita. Segundo: tanto Bush quanto
Condoleezza Rice podem ser conservadores o quanto
queiram na intimidade das suas almas, e não
tenho motivo para duvidar da sinceridade de um
nem da outra; mas o fato é que são ambos
membros do CFR e têm suficiente amor às suas
carreiras para não cuspir muito ostensivamente
no prato em que comeram. Eles só mudarão a
orientação da política de Washington para com
a América Latina se sentirem que têm respaldo
para isso nos órgãos formadores da opinião
republicana. Convencê-los pessoalmente é
desnecessário e inútil. Provavelmente já
estão até convencidos. O importante é
convencer suas fontes de apoio. Ninguém vai
conseguir nada com cochichos de gabinete. Isto
aqui não é uma republiqueta, onde tudo se
obtém pela amizade do chefão. Democracias
simplesmente não funcionam assim. O que tem de
ser feito é público e aberto.
Contra o trabalho consolidado de centenas de ONGs
esquerdistas que aqui operaram durante décadas
até obter o controle quase total do fluxo de
informações sobre o Brasil na grande mídia,
vejo que estou praticamente sozinho. Sozinho e
sem recursos. Minha sorte é que (1) nos think
thanks conservadores existe agora uma fome de
informações autênticas sobre a revolução
latino-americana; (2) a grande mídia não é
tão grande assim: os conservadores dominam os
talk-shows de rádio, que alcançam uma faixa de
público bem maior que a dos jornais da esquerda
chique; (3) como não estou ligado a interesse
partidário nenhum, represento somente a mim
mesmo e digo apenas aquilo em que pessoalmente
acredito, há nesses meios um número enorme de
pessoas que acreditam em mim. Nada tem mais
autoridade ante uma platéia americana do que a
independência individual (justamente aquilo que
no Brasil torna o cidadão um virtual suspeito).
Desde que cheguei, fiz várias conferências em
think thanks, escolas e congressos, despertando o
interesse e a franca aprovação de platéias
altamente preparadas, nas quais se incluiam pop
stars da mídia conservadora, cientistas
políticos de excelente prestígio acadêmico e
até subsecretários de Estado.
O momento, repito, é propício. O véu da
mentira latino-americana está para ser rasgado,
e CFR nenhum poderá impedir que isso aconteça.
Aqui aprendi o que é democracia. A democracia
não dá liberdade a ninguém. Apenas dá a cada
um a chance de lutar pela liberdade. A gente
percebe isso, materialmente, na coragem e
disposição de combate com que tantos
americanos, hoje, se erguem contra o
establishment esquerdista chique e não raro
conseguem vencê-lo usando os meios postos à sua
disposição pelo Estado de direito. Esses meios
estão também ao alcance de quem deseje
restabelecer a verdade sobre o Brasil.
Não quero me gabar dos resultados obtidos, mas
sei que, na mídia conservadora e nos think
thanks republicanos, já quase ninguém mais
acredita na mentira idiota de que Lula é um
antídoto à subversão chavista. Estou
consciente de ter contribuído ativamente para
sepultá-la. Mais dia, menos dia, notícias do
falecimento chegarão ao governo americano, se é
que já não chegaram.
Para isso, usei de todos os recursos com que
contava: conferências, artigos, cartas,
telefonemas, distribuição de provas e
documentos, inumeráveis conversações pessoais.
De vez em quando coloco no meu site algumas
amostras do que tenho feito.
O problema é que tudo isso custa trabalho, tempo
e dinheiro. Normalmente, um esforço dessa
envergadura deveria ser obra de equipe. Seria
preciso ter aqui uma ONG independente, sem
ligação com partidos ou redes, com
um time de conferencistas, redatores, tradutores,
relações públicas e fund-raisers, habilitada a
fazer o que todas as ONGs fazem: conferências de
imprensa, debates, newsletters, mala-direta, um
website atualizado diariamente e publicação de
livros.
Não dispondo de nada disso, faço tudo eu mesmo.
Não tenho nenhuma ONG pelas costas, nenhum
patrocinador, nenhum suporte político ou
empresarial. Meu visto de jornalista também não
permite que eu trabalhe em empresas locais. Tudo
o que escrevo e leciono por aqui, é de graça. A
totalidade dos meus meios de sustento consiste no
salário que me vem do Brasil e na ajuda de dois
ou três amigos, sempre os mesmos.
Não estou me queixando. Estou felicíssimo de
poder fazer o que faço. Mas faria muito mais, e
com resultados incomparavelmente mais velozes, se
tivesse algum respaldo financeiro para isso.
O salário que recebo pelo meu trabalho
jornalístico é suficiente para dar à minha
família uma vida modestamente confortável no
interior da Virgínia, onde tudo custa três
vezes mais barato (e é dez vezes mais bonito,
confesso) do que em Washington ou Nova York. Mas
a tarefa de que me incumbi exige muito mais do
que posso gastar. Só para vocês fazerem uma
idéia, a primeira coisa que fiz em vista dos
meus planos foi dar a mim mesmo um curso
abreviado de política americana: história,
leis, instituições, grupos, pessoas, correntes
de idéias. Logo em seguida, formei um cadastro
das entidades que podiam ser úteis para o meu
objetivo e tratei de me inscrever em várias
delas, para poder freqüentar seus encontros,
receber suas publicações, etc. Por fim, iniciei
um programa de viagens a Washington para contatos
pessoais e conferências. Quanto custou isso
tudo? Quanto custa formar, em menos de um ano, um
especialista em política americana? Quanto
custam centenas de livros, dezenas de assinaturas
de revistas e subcrições em think tanks, não
sei quantas diárias de hotel e alguns milhares
de galões de gasolina? Mensalmente, gastei nisso
metade ou mais do meu salário, enchendo-me de
dívidas, submetendo minha família a
sacrifícios humilhantes e incomodando amigos
brasileiros com obsessivos pedidos de socorro.
Cheguei a um ponto em que já não posso
continuar trabalhando assim. Ou monto uma
estrutura de trabalho capaz de concorrer com
adversários poderosos, ou trato de buscar um
consolo impossível naquela história do
passarinho que tentava apagar o incêndio na
floresta levando gotinhas de água no bico. Não
quero ficar me vangloriando de gotinhas inúteis.
Quero fazer alguma coisa que dê resultado. Quero
fazer e sei como fazer. E nada melhor para me
ajudar nisso do que as contribuições
individuais de pessoas que confiam em mim.
Incomparavelmente melhor do que apoios
institucionais, empresariais e partidários. Elas
são um reforço generoso e livre que em nada
afeta a minha independência.
Nos EUA, depender apenas das contribuições
espontâneas do público aumenta muito a
credibilidade de uma campanha, de um jornal
eletrônico ou de uma ONG.
A constituição de uma ONG nos EUA é coisa
complexa e dispendiosa. Antes mesmo de chegar a
isso, preciso de meios para viajar com mais
freqüência a Washington, para publicar uma
newsletter, para atualizar diariamente o meu site
em inglês, para me inscrever em mais
instituições, estender meus contatos para
outros Estados, freqüentar mais congressos, etc.
etc.
Preciso de ajuda já. Não quis pedi-la antes de
chegar ao meu limite. Já cheguei. Por favor, me
ajudem a salvar a honra do Brasil. Não quero
chegar à velhice extrema pensando que vim de um
país que se deixou estrangular sem exercer nem
mesmo o direito de espernear. Quero exercer esse
direito até o fim, com esperneadas vigorosas que
pelo menos deixem o assassino da pátria com uma
inesquecível dor na bunda.
Adiei o pedido levando em consideração que a
tarefa a que me entreguei foi idéia minha,
pessoal, germinada em segredo no meu cérebro
maligno, sem pedido ou sugestão de quem quer que
fosse. Ninguém, fora eu mesmo, tem a mínima
quota de responsabilidade nela. Muito menos, é
claro, os jornais que me empregam. Cumpro meus
deveres profissionais, vou escrevendo o meu livro
e me entrego à devoção patriótica nas horas
vagas. Todas as horas vagas.
Bem sei o que essa iniciativa privadíssima pode
me custar, se eu voltar ao Brasil. Também sei
que, por aqui, meu visto de jornalista me dá
direito à permanência indefinida, mas não
garantida. Posso ser, de um momento para outro,
retirado deste adorável refúgio virginiano,
entre esquilos, sapinhos, flores e caipiras, e
devolvido direto à toca do lobo, bicho tinhoso
que já várias vezes ameaçou acabar com a minha
raça. Os riscos da empreitada são portanto
consideráveis e, se me sinto autorizado a pedir
aos amigos e leitores que a reforcem com seu
dinheiro, é porque apostei nela o meu pescoço e
a segurança da minha família. Não estou
pedindo a ninguém que ofereça mais do que
ofereci.
Também não prometo nada, exceto multiplicar o
meu esforço na proporção dos recursos que me
cheguem. Nunca tive paciência com pessoas que
choramingam pedindo que eu lhes dê uma
esperança. Minha única esperança é a justiça
divina, quando este mundo for desfeito em
farrapos. Na existência terrena, a esperança é
menos importante do que a fé -- e a fé não
significa crer numa doutrina, significa ser fiel
a um compromisso. Significa ter senso do dever.
Com esperança, se possível; sem ela, se
necessário.
Com 59 anos de existência no planeta, cheguei à
conclusão de que sou o bicho mais teimoso,
paciente e obstinado que já conheci. Deve haver
um cromossomo de jumento, de elefante ou de
camelo na minha constituição genética. Mas
até um desses amáveis animais precisa de
alimento e estímulo para cumprir sua tarefa
puxar um tronco, atravessar o deserto,
carregar tijolos e gente em terreno íngreme.
Estou pedindo a todos os meus leitores e amigos
que me ajudem a fazer o que tenho de fazer.
Doações pessoais ainda são permitidas e livres
de impostos. Quem tiver sensibilidade e
condições para isso, que faça uma
contribuição por qualquer destes três meios,
à sua escolha:
2) Para depósito bancário em reais dez,
vinte, cem, mil reais ou o que quer que seja
, use a minha conta pessoal do Banco Itaú,
agência 4080, c/c 02968-1.
3) Para transferência bancária (DOC), use a
mesma conta do Itaú e o meu CPF, 043909388/00.
Quem quiser um recibo, que envie um e-mail a
olavo@olavodecarvalho.org com uma cópia do
comprovante de depósito ou transferência.
Como ainda não tenho uma ONG constituída, isso
não dará a ninguém o direito a desconto no
imposto de renda nem a qualquer outra vantagem
apreciável. Dará direito apenas à minha
gratidão e talvez à gratidão da pátria, se
esta ainda existir no futuro.
Estou pedindo agora e vou voltar a pedir. Tantas
vezes quantas me pareça necessário, pois as
despesas não vão parar tão cedo. Agora já me
acostumei à mentalidade de um povo que põe seu
dinheiro onde põe suas palavras. Aqui, todo
mundo contribui para aquilo em que acredita. Eu
mesmo, que sou um duro, não escapo.
Associações de veteranos, campanhas de
evangelização, protestos cívicos, policiais
baleados e até uma menininha da Guatemala que
não podia comprar seus livros de escola já
descobriram que eu existo e aparecem mensalmente
na minha caixa postal. Dou um pouquinho, mas dou
sempre: toda essa gente trabalha para o bem, e
aprendi com os americanos que o dinheiro jamais
é neutro se não serve ao bem, serve ao
mal.
Agradecendo antecipadamente,
Olavo de Carvalho
Richmond, Virginia, 20 de junho de 2006
|
|